ETFs de Bitcoin registram saques líquidos em 7 de 8 grandes quedas desde o lançamento em 2024
Estudo da DWF Labs mostra que os ETFs à vista de Bitcoin negociados nos EUA tiveram saques líquidos em sete das oito quedas de pelo menos 15% registradas desde o lançamento dos produtos, em janeiro de 2024. A pesquisa abrangeu 694 pregões até 16 de outubro.
O maior volume de resgates veio na queda de 28,8% do Bitcoin entre maio e junho de 2026: US$ 8,2 bilhões, recorde do período analisado. No declínio de outubro de 2025 a fevereiro de 2026, quando a criptomoeda perdeu quase metade do valor, os saques chegaram a US$ 6,9 bilhões, superando os US$ 3,4 bilhões resgatados na correção de janeiro a abril de 2025. Os números frustram a expectativa de que a adoção institucional funcionaria como comprador confiável em momentos de estresse.
Os fluxos reforçaram a tendência dominante: houve saques contínuos em sete dos oito fundos de mercado e compras contínuas em sete dos oito topos. Em cinco das oito correções, os maiores resgates ocorreram nos cinco pregões imediatamente anteriores ao fundo do Bitcoin. Na queda de maio a junho de 2026, os saques diários médios somaram US$ 412 milhões na última semana, e os investidores retiraram recursos em 88% dos pregões daquele período.
As nove altas de pelo menos 15% atraíram entradas líquidas, e em sete delas as compras mais fortes se concentraram nas cinco sessões anteriores ao pico. A correção de maio a julho de 2024 foi exceção, com US$ 2,2 bilhões em entradas apesar da queda de 21,8% do Bitcoin — movimento que coincidiu com a liquidação de reservas pelo governo alemão e com os pagamentos a credores da Mt. Gox, quando a demanda por ETFs absorveu parte da oferta extra.
Mesmo no rali de abril de 2025, com alta de 9,7%, os ETFs perderam em média US$ 40 milhões por dia. As entradas diárias só subiram para US$ 436 milhões depois que os preços se recuperaram, sinal de que o investidor institucional espera a recuperação se consolidar. No pico do Bitcoin, em outubro de 2025, cerca de US$ 1,2 bilhão entrou nos ETFs em um dos maiores dias de aporte, pouco antes de um declínio prolongado.
A DWF Labs mediu correlação de 0,54 entre os fluxos dos ETFs e o desempenho do Bitcoin nos cinco dias anteriores, contra 0,03 para os cinco dias seguintes. A correlação no mesmo dia ficou em 0,41 — indício de movimento conjunto, sem definir se a demanda por ETFs causa as variações de preço. O Bitcoin subiu nos 20 dias seguintes em apenas 51% das sessões com fluxo entre os 10% maiores, ante 57% em todos os pregões.
O iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, maior ETF de Bitcoin, acumulou US$ 65,6 bilhões em entradas líquidas no período estudado, mas agregou pouco poder preditivo. Os fluxos do IBIT tiveram correlação de 0,04 com os retornos dos cinco dias seguintes, e o Bitcoin avançou nos 20 dias posteriores em só 47% das sessões de maior aporte do fundo.
Parte das compras via ETF é transferência entre fundos ou de hedge funds que compram cotas e, ao mesmo tempo, vendem futuros de Bitcoin para explorar diferenças de preço sem assumir exposição direcional.
Em oito dos 12 casos de saques excepcionalmente altos com variação do Bitcoin inferior a 1%, a criptomoeda caiu nos 20 dias seguintes. Os retornos após essas sessões foram 10,7% mais fracos do que depois de sessões com tendências de preço semelhantes. O padrão, porém, se concentrou em três grandes liquidações, o que reduz sua confiabilidade para operações.
O ritmo diário mediano das quedas do Bitcoin desacelerou para 0,69% na era dos ETFs, ante 1% em 2022–2023 e 1,37% em 2021. Correções de pelo menos 15% ficaram menos frequentes: cerca de 2,9 por ano, contra 4,4 em 2022–2023 e 8 em 2021. A volatilidade anualizada caiu para 47%, de 55% no biênio anterior. Tombos diários de cerca de 7% passaram de seis para dois por ano. A correção mediana da era dos ETFs, por sua vez, chegou a 21,3%, acima dos 19,4% de 2022–2023.
A DWF Labs aponta liquidez mais profunda, investidores mais diversificados e instrumentos regulados de hedge, como futuros do CME e opções sobre ETFs, entre os possíveis responsáveis por essas mudanças. A volatilidade do Bitcoin já vinha caindo antes do lançamento dos ETFs. A casa estima que operações de base com futuros do CME podem ter protegido cerca de um quinto dos fluxos destinados aos ETFs. A exposição líquida vendida de fundos alavancados caiu de aproximadamente 116.000 BTC em dezembro de 2024 para 29.000 BTC. O encerramento dessas posições explicaria boa parte das vendas de ETFs entre janeiro e abril de 2025, mas no máximo cerca de um quarto dos resgates nas duas maiores quedas posteriores — o que sugere que os saques recentes refletem cada vez mais investidores reduzindo exposição a Bitcoin.
Depois que o Bitcoin cai 7% abaixo de sua máxima de 20 dias, o fluxo diário médio dos ETFs nos cinco pregões seguintes passa de entrada de US$ 74 milhões para saída de US$ 72 milhões. As vendas via ETF aumentaram em 19 dos 24 episódios estudados, com os fluxos voltando ao neutro nas duas semanas seguintes.
Os ETFs de Bitcoin acumulam US$ 57,96 bilhões em entradas líquidas, e os 12 produtos administram cerca de US$ 110 bilhões em ativos.