Bitwise: cripto acumula três trimestres seguidos de queda, maior sequência desde 2022
Resumo de mercado por IA
A revisão do 2º trimestre de 2026 da Bitwise destaca a mais longa sequência de perdas do mercado cripto por três trimestres consecutivos desde 2022, junto com a desaceleração dos fluxos de entrada em ETFs spot de Bitcoin e a maior saída líquida de ETFs desde o lançamento — uma importante porta de entrada institucional. Quedas na atividade onchain, no volume de negociação e no TVL de DeFi reforçam condições amplas de aversão ao risco, enquanto o aumento da correlação com ações eleva a sensibilidade macro. O crescimento compensatório em stablecoins e RWA sugere resiliência de uso, mas a pressão de preços no curto prazo persiste.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
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A Bitwise informou em seu Market Review do 2º trimestre de 2026, citado pela CoinDesk, que o mercado de criptomoedas registrou retorno negativo por três trimestres consecutivos — a sequência mais longa desde 2022. Com a fraqueza dos preços, os fluxos para ETFs à vista de bitcoin perderam ritmo, enquanto a atividade on-chain e a escala do DeFi também encolheram, deixando mercado e ETFs sob pressão ao mesmo tempo.
No trimestre, o Bitwise 10 LargeCap Crypto Index recuou 15,4%, e oito dos dez ativos do índice terminaram no vermelho. A gestora atribuiu o resultado à pressão disseminada sobre os principais criptoativos no período.
O relatório destacou ainda que os ETFs à vista de bitcoin nos EUA tiveram, no 2º trimestre, a maior saída líquida desde o lançamento. Como esses veículos são um dos principais canais de entrada de capital institucional no mercado de bitcoin, a retirada aumentou a pressão vendedora. A Bitwise ressalvou que os fluxos não são unidirecionais: até maio de 2026, os ETFs passaram por sete semanas consecutivas de entradas líquidas, somando mais de US$ 3,4 bilhões, sinal de que a demanda institucional permaneceu volátil neste ciclo.
Apesar da correção recente, a Bitwise avalia que os indicadores on-chain seguem melhores do que no piso de 2022. Ainda assim, no 2º trimestre houve queda na atividade on-chain, no volume negociado e no valor total bloqueado (TVL) em protocolos DeFi. Ao mesmo tempo, aumentou a correlação entre criptoativos e bolsas, com o desempenho de preços mais alinhado a ativos tradicionais de risco.
Desde o fundo de 2022, a atividade de transações no Ethereum subiu cerca de 13 vezes. O TVL do DeFi avançou mais de 60% no período. O valor total de stablecoins aproximadamente dobrou. Para a Bitwise, o tamanho do setor hoje é cerca de duas vezes o observado no fundo do ciclo anterior, com preços sendo o principal ponto de defasagem.
Mesmo com preços mais fracos, segmentos específicos continuam em expansão, como stablecoins, RWA (ativos do mundo real tokenizados) e mercados de previsão. A Bitwise aponta que os volumes de liquidação com stablecoins chegaram a 2,3 vezes o volume processado pela Visa, e que os emissores de stablecoins já detêm mais Treasuries dos EUA do que a maioria dos países.
Com base em dados citados no relatório, o mercado de tokenização de ativos do mundo real cresceu 50,3% no primeiro semestre de 2026, alcançando US$ 32,89 bilhões, concentrado em ativos como títulos públicos tokenizados, crédito privado e fundos de investimento. O volume de negociação de mercados de previsão em derivativos subiu para US$ 43,2 bilhões no 2º trimestre, cerca de 18 vezes o nível do mesmo período do ano anterior.
A Bitwise também observou que Hyperliquid, PancakeSwap e Aave geraram cerca de US$ 900 milhões cada em receita nos últimos 12 meses, indicando demanda contínua por plataformas descentralizadas de negociação, empréstimos e derivativos. No balanço geral, a gestora afirma que o uso das redes e a participação institucional melhoraram de forma relevante desde as mínimas de 2022, mas isso não significa que as pressões de curto prazo sobre os preços tenham se dissipado.