Bukele nega acusações de transferência das reservas de bitcoin de El Salvador
Resumo de mercado por IA
O presidente Bukele negou relatos de que El Salvador tenha transferido suas reservas soberanas de Bitcoin, afirmando que apenas a propriedade e o controle operacional da carteira Chivo foram transferidos para um operador privado, enquanto o governo manteve o controle de ~7.763 BTC. O FMI acrescentou que o BTC acumulado desde junho de 2025 veio de doações privadas, e não de compras públicas, e que não se espera mais acumulação. O esclarecimento reduz a incerteza de curto prazo em torno da custódia soberana de BTC e dos fluxos.
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O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, contestou informações de que o governo teria transferido suas reservas de bitcoin a um operador privado. Segundo ele, a mudança ocorreu apenas na estrutura de propriedade e gestão da Chivo, carteira digital apoiada pelo governo, sem impacto sobre o estoque soberano de BTC do país.
A controvérsia ganhou força após uma declaração do FMI em 3 de setembro sobre o programa econômico salvadorenho. Bukele afirmou nas redes sociais que relatos de transferência da reserva são "totalmente falsos" e que o que mudou foi a participação societária na entidade da Chivo: um operador privado passou a deter o controle majoritário e a condução operacional, enquanto o governo manteve uma participação minoritária. O FMI, por sua vez, registrou que o governo continuou como custodiante dos ativos dos clientes.
O ponto central é a separação entre dois ativos. A Chivo, lançada em 2021, funciona como a carteira de pagamentos em bitcoin associada à política pública do país. Já a Reserva Estratégica de Bitcoin corresponde às participações soberanas do governo e permanece apartada da Chivo. De acordo com as informações divulgadas, essa reserva soma cerca de 7.763 BTC, avaliada entre US$ 618 milhões e US$ 632 milhões (mais de US$ 600 milhões).
No mesmo comunicado, o FMI informou ter recebido documentação sobre os bitcoins adquiridos desde a primeira revisão do acordo EFF, realizada em 27 de junho de 2025. Segundo o Fundo, todo o BTC acumulado desde então veio de doações privadas, sem uso de recursos públicos para compras. O FMI acrescentou que El Salvador não prevê novas acumulações além das doações já documentadas.
A divulgação ocorreu junto a um entendimento relativo à segunda e à terceira revisões do programa de US$ 1,4 bilhão da Linha de Crédito Ampliada (Extended Fund Facility, EFF). Cumpridas as ações prévias e condicionada à aprovação do Conselho Executivo, El Salvador poderá receber cerca de US$ 140 milhões.
O acordo do FMI também tratou da reestruturação da Chivo, incluindo a transferência do controle majoritário e da operação para um agente privado. Bukele refutou que essa reorganização signifique repasse de BTC soberano, reiterando que a Reserva Estratégica segue sob controle do governo.
El Salvador lançou a Chivo no contexto da adoção do bitcoin como moeda de curso legal em 2021, quando ofereceu um incentivo de US$ 30 em bitcoin para novos usuários. Em 2025, o país revogou o status de curso legal do bitcoin como parte de condições associadas ao programa com o FMI. A revisão mais recente também avaliou a situação fiscal e a sustentabilidade da dívida; o desembolso proposto de cerca de US$ 140 milhões ainda depende de aval do Conselho Executivo.