FMI alerta: avanço das stablecoins no Brasil pode ampliar exposição a choques globais

Resumo de mercado por IA
O FMI alerta que o uso de stablecoins em rápida expansão no Brasil — agora o maior da América Latina — pode transmitir choques globais de aversão ao risco para o sistema financeiro doméstico mais rapidamente do que os fluxos de capital tradicionais. Tokens atrelados ao dólar dominam o volume de cripto reportado, e a adoção empresarial está crescendo, aumentando as interligações com bancos e pagamentos. Embora o Brasil esteja endurecendo as regras de câmbio e de pagamentos, o FMI aponta lacunas remanescentes na emissão, nas proteções de custódia e na supervisão de AML/CFT.
Nível de impacto
● Médio
Ativos afetados
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O mercado de stablecoins no Brasil já é o maior da América Latina, e o ritmo de expansão começa a acender um sinal de alerta entre reguladores internacionais. Em avaliação recente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma que os fluxos com stablecoins crescem três vezes mais rápido do que os fluxos tradicionais de capital. Com tokens atrelados ao dólar respondendo por quase 89% do volume cripto reportado, o organismo avalia que choques nos mercados globais podem se transmitir ao Brasil com mais velocidade. Stablecoins reconfiguram a dinâmica de entrada e saída de recursos Segundo o FMI, o mercado cripto brasileiro vem se expandindo rapidamente desde 2017, com as stablecoins no centro desse movimento. O relatório aponta que as compras desses ativos são de duas a três vezes mais sensíveis a choques globais do que o investimento estrangeiro tradicional. Na prática, em momentos de volatilidade externa, o dinheiro tende a entrar ou sair do mercado de stablecoins no país de forma bem mais ágil. Tokens indexados ao dólar somam cerca de 88,7% do volume de negociação cripto reportado no Brasil, com processamento mensal estimado entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões. A alta também aparece nas estatísticas de transações: o país registrou 185,7 milhões de operações de compra e venda de stablecoins, ante um volume praticamente inexistente em 2019. A aceleração ficou mais evidente a partir de 2024, com 18,2 milhões de transações apenas em novembro de 2024. Empresas e varejo ampliam uso para proteção e remessas Empresas têm recorrido a tokens atrelados ao dólar para administrar risco cambial e simplificar transferências internacionais. No varejo, usuários buscam as stablecoins como forma de se proteger de oscilações da moeda local. O FMI também destaca o efeito do Pix: com milhões de brasileiros já habituados a pagamentos digitais instantâneos, a migração para carteiras cripto e stablecoins exige uma curva de aprendizado menor. FMI aponta lacunas regulatórias apesar de avanços O Fundo reconhece que o Banco Central do Brasil já adotou medidas relevantes para supervisionar o crescimento do segmento, mas avalia que permanecem lacunas em proteção de ativos de clientes, emissão de stablecoins e regras de prevenção à lavagem de dinheiro (AML) e ao financiamento do terrorismo (CFT). O FMI classifica o mercado cripto brasileiro como "grande e em rápido crescimento", cada vez mais integrado ao sistema financeiro tradicional, o que aumenta a preocupação regulatória conforme os fluxos com stablecoins ganham escala. Banco Central endurece regras para operações com stablecoins O Banco Central do Brasil vem apertando o arcabouço regulatório. Em abril, a Resolução BCB nº 561 restringiu prestadores de câmbio eletrônico de usar ativos digitais em determinados pagamentos e transferências internacionais. Operações transfronteiriças devem ser realizadas por canais formais de câmbio ou por contas de não residentes em reais. A medida indica que o país não pretende proibir as stablecoins, mas direcionar a expansão do uso para dentro do sistema financeiro formal. O FMI alerta que, se os fluxos com stablecoins continuarem avançando mais rápido do que os fluxos tradicionais de capital, choques globais podem alcançar o sistema financeiro brasileiro com muito mais rapidez.